O River Plate atravessa um dos momentos mais delicados de sua temporada, após a disputa da Copa do Mundo de 2026. A derrota por 1 a 0 para o Tigre, fora de casa, no último sábado (8), ampliou a sequência negativa da equipe e aumentou a pressão sobre Eduardo Coudet. O resultado representou a quinta derrota consecutiva do time, sendo quatro pelo Torneio Clausura do Campeonato Argentino e uma pela Copa da Argentina.
A crise, porém, vai além dos resultados recentes. Considerando também a derrota por 3 a 2 para o Belgrano na decisão do Torneio Apertura, o River Plate chegou a seis derrotas consecutivas em competições nacionais, uma sequência inédita para o clube nesse contexto. Desde a vitória por 3 a 0 sobre o Blooming, em 27 de maio, pela Copa Sul-Americana, a equipe não voltou a vencer oficialmente.
O desempenho ofensivo também ajuda a dimensionar o problema. Nos cinco jogos oficiais disputados após a retomada da temporada, o River Plate marcou apenas um gol e sofreu sete. No Clausura, a equipe iniciou a campanha com derrota por 1 a 0 para o Barracas Central e voltou a perder diante de Rosario Central e Tigre, além dos demais compromissos que compõem a sequência do clube portenho.
A situação coloca Coudet no centro das discussões. Contratado em março, o treinador conseguiu levar o River Plate à decisão do Apertura, mas a queda diante do Belgrano marcou o início de uma fase que se agravou durante o segundo semestre. Em 20 partidas à frente da equipe, o técnico soma oito vitórias, oito derrotas e quatro empates, números que evidenciam a irregularidade do trabalho até aqui.
Depois da derrota para o Tigre, Coudet reconheceu publicamente a possibilidade de deixar o cargo caso os resultados não apareçam. A declaração demonstra o tamanho da pressão antes de um compromisso importante pela Copa Sul-Americana. O River Plate, classificado para as oitavas de final como um dos líderes de seu grupo, terá diante do Independiente Santa Fe a oportunidade de interromper a sequência e iniciar uma reação.
O desafio, portanto, deixou de ser apenas recuperar posições no campeonato argentino. Coudet precisa encontrar rapidamente respostas para uma equipe que perdeu confiança, apresenta dificuldades para marcar gols e acumula resultados negativos. Para um clube da dimensão do River Plate, a margem para novos tropeços é cada vez menor.

Será que o River Plate poderá contar com Almada contra o Santa Fe? Reforço chega tarde para as oitavas da Sul-Americana
A contratação de Thiago Almada representa um dos grandes movimentos do River Plate no mercado após a Copa do Mundo de 2026, mas o meia-atacante argentino deverá ter de esperar para fazer sua estreia na Copa Sul-Americana. O clube de Buenos Aires anunciou em 8 de agosto o acordo com o Atlético de Madrid pela transferência do jogador, em uma operação avaliada em 20 milhões de euros, e a chegada ocorreu justamente quando o prazo para inscrição de reforços nas oitavas de final já havia terminado.
A Conmebol encerrou em 7 de agosto o período para que os clubes acrescentassem jogadores às listas da Libertadores e da Sul-Americana para a próxima fase. Dessa forma, a chegada oficial de Almada ao River aconteceu depois do limite estabelecido para as oitavas, o que impede sua participação diante do Independiente Santa Fe, da Colômbia, salvo alguma mudança excepcional nas regras da competição. O confronto está marcado para os dias 12 e 19 de agosto, com a primeira partida na Colômbia e a decisão no Monumental de Núñez.
A ausência é particularmente relevante porque Almada foi contratado justamente para elevar o nível de um elenco que atravessa um momento de instabilidade. O River Plate chega ao mata-mata pressionado pelos resultados recentes, mas decidiu responder no mercado com uma série de investimentos de peso. O zagueiro Nicolas Otamendi e o atacante Ángel Correa foram anunciados em julho, o colombiano Rafael Santos Borré também retornou ao clube, enquanto Francisco Ortega e Tobías Andrada foram incorporados ao elenco. A negociação por Almada completou uma janela de grande impacto financeiro e esportivo para os Millonarios.
Correa surge como outra das principais apostas para transformar o setor ofensivo. Borré acrescenta experiência e presença de área, enquanto Almada oferece criatividade, mobilidade e capacidade de atuar entre linhas. O meia, campeão mundial com a Argentina, retorna ao futebol sul-americano depois de passagens por Botafogo, Lyon e Atlético de Madrid e chega ao River Plate como uma das contratações mais expressivas da história recente do futebol argentino.
Por isso, o planejamento do River Plate precisa ser dividido em duas etapas. Contra o Santa Fe, a equipe terá de buscar a classificação com os jogadores já inscritos, enquanto Almada deverá ser preparado para assumir protagonismo posteriormente. Caso o clube avance às quartas de final, o novo período de inscrições permitirá a inclusão de reforços que chegaram depois do prazo das oitavas.
A expectativa, portanto, é que Almada seja uma peça importante para o River na sequência da Sul-Americana, mas não contra o Santa Fe. A contratação demonstra a ambição do clube para o segundo semestre, enquanto a limitação burocrática obriga o técnico a encontrar soluções imediatas para um confronto que pode determinar o rumo da temporada.
Por que o River Plate vem fracassando com Coudet e não repete o nível da era Gallardo?
O River Plate vive, em agosto de 2026, uma crise que vai muito além de uma sequência ruim de resultados. A equipe dirigida por Eduardo Coudet perdeu seis partidas consecutivas em competições nacionais, sendo quatro pelo Torneio Clausura, e chegou ao confronto com o Tigre sem somar pontos no campeonato. A derrota por 1 a 0 agravou ainda mais a situação e colocou o treinador no centro das críticas.
O problema fica ainda mais evidente quando a comparação é feita com Marcelo Gallardo. Embora a segunda passagem do antigo treinador também tenha terminado abaixo das expectativas, Gallardo deixou uma referência competitiva que Coudet ainda não conseguiu reproduzir. Quando assumiu o River Plate, em março, Coudet teve um começo promissor, com cinco vitórias e um empate nos seis primeiros jogos, resultado que alimentou a expectativa de uma rápida reconstrução.
A transformação posterior, entretanto, foi radical. O River perdeu consistência, passou a apresentar dificuldades para criar oportunidades e tornou-se previsível ofensivamente. Contra o Tigre, por exemplo, a equipe praticamente não conseguiu ameaçar o gol adversário e terminou novamente sem balançar as redes. A sequência de quatro derrotas por 1 a 0 no Clausura mostra uma equipe que não apenas deixou de vencer, mas também perdeu capacidade de reação durante as partidas.
É justamente nesse aspecto que a comparação com Gallardo ganha força. O River construiu durante anos uma identidade baseada em intensidade, pressão, domínio territorial e capacidade de competir nos momentos decisivos. Mesmo quando os resultados não apareciam, havia uma estrutura reconhecível. Com Coudet, essa identidade se perdeu progressivamente, e o time passou a depender mais de soluções individuais do que de mecanismos coletivos capazes de controlar os jogos.
Outro fator é que Coudet assumiu um elenco que precisava ser renovado. A diretoria passou a buscar reforços para mudar o panorama do segundo semestre, mas as contratações ainda não produziram impacto imediato. O treinador chegou a defender a necessidade de novos jogadores após a derrota para o Tigre, enquanto a pressão externa aumentava.
A crise, portanto, não pode ser atribuída exclusivamente ao técnico. Gallardo também havia deixado um River sem títulos em 2025 e começou 2026 com resultados ruins antes de sua saída. Porém, Coudet recebeu a oportunidade de iniciar um novo ciclo e, depois de um começo animador, não conseguiu sustentar a evolução.
Agora, a classificação na Copa Sul-Americana ganhou peso ainda maior. O confronto contra o Independiente Santa Fe representa uma oportunidade imediata para interromper a sequência negativa. Para Coudet, entretanto, não basta apenas avançar: será necessário recuperar desempenho, confiança e uma identidade competitiva que, até agosto, o River ainda não encontrou.

