A temporada de 2026 da Fórmula 1 chegou na sua metade após a realização do GP da Hungria, na último dia 26 de julho. E neste momento, pilotos e equipes estão de férias até o próximo dia 23 de agosto, quando acontece o GP da Holanda.
E com 11 etapas já realizadas, o italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, lidera o campeonato mundial de pilotos com 219 pontos. Na segunda posição, está Lewis Hamilton, da Ferrari, com 169 pontos. Fechando o top 3, George Russell, da Mercedes, com 160 pontos. No campeonato de construtores, a Mercedes lidera com 379 pontos, seguida de Ferrari (307), McLaren (220) e Red Bull (117).
A primeira metade da temporada de 2026 da Fórmula 1, trazendo a maior mudança de regulamento da história, pode ser contada de diversas formas. E nesta matéria especial, abordaremos as principais narrativas contadas desde o dia 8 de março, no GP da Austrália, até a vitória de Lando Norris no GP da Hungria.
Domínio da Mercedes e de Kimi Antonelli
Após o final dos testes de pré-temporada em fevereiro, no Bahrein, era claro para todo mundo que acompanha Fórmula 1, que a Mercedes tinha maior domínio sobre o novo regulamento da categoria. E isso se confirmou na primeira corrida do ano, na Austrália. George Russell, o piloto mais experiente da escuderia alemã, liderou a equipe para a vitória, com uma dobradinha envolvendo ainda Kimi Antonelli na 2ª posição.
Porém, já na segunda etapa, na China, começou a aparecer a 1ª surpresa da temporada. Apesar da vitória na corrida sprint, Russell teve uma perda de desempenho em Xangai, proporcionando que Antonelli vencesse uma corrida de Fórmula 1 pela 1ª vez na carreira. A partir daí, o italiano assumiu o protagonismo da temporada de 2026 da Fórmula 1.
No Japão, Antonelli venceu graças a sorte de um Safety Car na hora certa, que proporcionou que o piloto nº 12 pudesse fazer uma parada nos boxes sem perder tempo. Com isso, Russell sequer conseguiu subir ao pódio, começando uma maré de azar para o piloto britânico.
Após mais de um mês sem corrida, devido ao cancelamento do GP da Arábia Saudita e adiamento do GP do Bahrein, a boa fase de Antonelli seguiu no GP de Miami. E mais uma vez, apesar de não vencer a sprint (triunfo conquistado por Lando Norris), o italiano de 19 anos sobrou na corrida, e mais uma vez, Russell ficou de fora do pódio. No Canadá, mais uma vitória, e abandono de Russell, e ainda contando com a etapa seguinte, em Mônaco, Kimi Antonelli totalizou cinco vitórias seguidas na Fórmula 1, feito inédito para um piloto que jamais havia vencido antes desta sequencia.
Naquele momento, Antonelli liderava o campeonato com 156 pontos, tendo subido ao pódio em todas as etapas até então. O 2º colocado já era Lewis Hamilton, que mesmo com um carro inferior ao de Russell, somava 90 pontos (66 pontos de desvantagem para o líder). Russell ocupava a terceira posição, com 88 pontos e 68 pontos atrás do companheiro de equipe.
Ferrari e McLaren alcançam os líderes
Entretanto, a hegemonia da equipe alemã durou até a sétima etapa, no GP de Barcelona. No circuito de Barcelona-Cataluyna, Lewis Hamilton conquistou a sua primeira vitória desde que chegou a Ferrari, no início de 2025. Além disso, foi a 1ª vitória da equipe italiana desde o GP do México de 2024 (realizado no dia 27 de outubro daquele ano) e a primeira vitória de um carro não Mercedes em 2026.
Russell chegou na segunda posição, já Antonelli acabou abandonando perto do final da corrida, evidenciando um grande problema dos carros da Mercedes, a confiabilidade. Este problema fez com que a escuderia com sede em Brackley perdesse um pouco da sua vantagem em relação a Ferrari e a McLaren, que também evoluiu seu carro chegando mais perto da metade da temporada.
A Ferrari ainda ganhou mais uma corrida, o GP da Inglaterra, em Silverstone, com Charles Leclerc. A Red Bull de Max Verstappen também evoluiu seu carro, garantindo bons resultados no pódio para o tetracampeão mundial, e uma excelente corrida de Isack Hadjar na Bélgica. O francês largou dos boxes e terminou na sexta posição.
Já a McLaren mostrou sua força justamente no GP da Hungria, a última corrida antes da pausa de verão. A equipe britânica tinha tudo para fazer a dobradinha com Oscar Piastri e Lando Norris, que eram os mais rápidos na pista. Porém, dois contratempos envolvendo o piloto australiano tiraram a sonhada dobradinha, que acabou abandonando a corrida. Mesmo assim, Norris terminou na ponta, garantindo sua primeira vitória como campeão mundial de Fórmula 1.
As estreias de Audi e Cadillac no grid da Fórmula 1
2026 também marcou a estreia de duas novas equipes no grid da Fórmula 1, a alemã Audi e a estadunidense Cadillac. A Audi ingressou no grid substituindo a Sauber. Portanto, herdou toda a infraestrutura, funcionários e pilotos, incluindo o brasileiro Gabriel Bortoleto. Já a Cadillac entrou como uma equipe completamente nova, entretanto, com dois pilotos já experientes e com passagem em grandes equipes da Fórmula 1.
Audi
Parecia pensar grande demais para a Audi, iniciar a temporada de 2026 da Fórmula 1 pontuando. Entretanto, foi exatamente isso que aconteceu. O brasileiro Gabriel Bortoleto, campeão da Fórmula 2 em 2024 e que estreou na Fórmula 1 em 2025, terminou o GP da Austrália na nona posição, garantindo os primeiros dois pontos da Audi na história da maior categoria do automobilismo. Já seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, sequer largou. A equipe detectou um problema mecânico pouco antes da volta de apresentação.
Porém, o que parecia uma estreia promissora, mesmo com a não largada de Hulkenberg, se tornou uma maré de azar. O carro da equipe alemã é o único que utiliza motor Audi entre todas as equipes do grid. Isso acabou dando desvantagem para Bortoleto e Hulkenberg, principalmente nas largadas. Em resumo, os pilotos (principalmente Gabriel) conseguiam colocar seus carros em boas posições de largadas, porém, no momento em que se apagavam as cinco luzes vermelhas, a velocidade de resposta do carro da Audi deixava muito a desejar, fazendo com que os pilotos precisassem recuperar várias posições perdidas durante a largada.
Além disso, logo na 3ª etapa, no Japão, o chefe de equipe da Audi, que já estava no comando da Sauber em 2025, Jonathan Wheathley, deixou o cargo e a equipe, alegando problemas pessoais. À época, os rumores apontavam que Wheatley assumiria o posto de chefe de equipe da Aston Martin, no lugar de Adrian Newey. Entretanto, até o momento da publicação desta reportagem, este rumor não se confirmou. Esse movimento enfraqueceu ainda mais a escuderia estreante alemã.
Com isso, a Audi pontuou mais trê vezes: Inglaterra (8º lugar de Bortoleto), Bélgica (8º lugar de Bortoleto) e Hungria (9º lugar de Hulkenberg). Assim, neste momento, a equipe está com 12 pontos ganhos, na 8ª posição no campeonato mundial de construtores. Vale destacar que, ao final da 11ª etapa de 2025, a Sauber, equipe que hoje equivale a Audi, tinha 26 pontos ganhos, 14 a mais do que em 2026. Porém, em 2025, com um regulamento completamente diferente, a equipe ocupava a nona e penúltima posição no campeonato de construtores.
Cadillac
Gerida pela multinacional automotiva General Motors, a estadunidense Cadillac entrou no grid da Fórmula 1 nesta temporada de 2026. E apesar da dupla de pilotos experiente, com Valtteri Bottas e Sergio Pérez, a equipe vem encontrando dificuldades neste começo de caminhada na maior categoria do automobilismo.
Já se esperava que o carro da Cadillac ocupasse as últimas posições neste começo, e foi exatamente isso que aconteceu, salvo pelas corridas em que a grande surpresa negativa da temporada até aqui, a Aston Martin, não ocupada tais posições. E com Fernando Alonso pontuando pela primeria vez para a Aston Martin em Mônaco, a Cadillac passou a ser a única equipe que ainda não pontuou em 2026.
Entretanto, mesmo que já se esperasse um desempenho ruim da Cadillac neste momento, as surpresas negativas foram maiores. Principalmente, pelo baixo desempenho de Bottas, que não consegue acompanhar seu companheiro de equipe, Sergio Pérez. E neste momento, já existem fortes rumores da substituição do finlandês para 2027.
A princípio, o estadunidense e ex-piloto da IndyCar Series (Fórmula Indy), Colton Herta, era o principal candidato a assumir esse posto. O automobilista de 26 anos é piloto reserva da equipe estadunidense, e atualmente está na Fórmula 2. Porém, o principal empecilho para Herta estar na Fórmula 1 em 2027 é a superlicença.
O piloto ainda não possui o documento necessário para pilotar um carro de Fórmula 1, e está na F2 justamente em busca dos pontos necessários para adquirir a superlicença. A Fórmula 2 premia o top 10 ao final do ano com pontos para a superlicença, com o piloto precisando de, no mínimo, 40 pontos, para tirar o documento. Colton Herta, na data da publicação desta matéria, tem 36 pontos, faltando apenas 4. Porém, neste momento, o estadunidense está na 16ª posição no campeonato de pilotos da Fórmula 2, não conseguindo nenhum ponto caso termine nessa posição.
Com esse cenário, outros nomes passaram a ser cogitados pela Cadillac, entre eles, do brasileiro Rafael Câmara, atual campeão da Fórmula 3 e 3º colocado no mundial de pilotos da Fórmula 2. O recifense é membro da academia de pilotos da Ferrari, portanto, graças a parceria de motores entre a italiana e a Cadillac, Câmara pode herdar este posto caso Herta não alcance os 40 pontos até 2027.
Aston Martin
A Aston Martin é, até aqui, o grande destaque negativo da temporada de 2026 da Fórmula 1. A equipe chefiada por Lawrence Stroll mudou de fornecedora de motores para este ano, deixando a Mercedes e assinando com a Honda. Além disso, este é o 1º carro da equipe que, durante seu desenvolvimento, teve alguma participação do projetista Adrian Newey, conhecido por projetar alguns dos melhores carros da história da categoria, gerando enorme expectativa sobre a escuderia britânica.
Porém, Newey deixou a Red Bull em maio de 2024, e graças a uma clausula em seu contrato, o projetista só poderia começar a trabalhar com outra equipe, um ano após sua saída da Red Bull. Assim, quando chegou na Aston Martin, o projeto do carro de m2026 já estava em desenvolvimento, não sendo um carro 100% pensado por ele.
Além disso, a Honda se adaptou de forma terrível ao novo regulamento de motores de 2026, saindo de ser uma das principais forças (fornecendo motores para a Red Bull durante o domínio de Max Verstappen entre 2021 e 2024) para ser a pior unidade de potencia do grid.
Essa mistura fez com que a Aston Martin tivesse dificuldades de sequer terminar as corridas. Logo na primeira etapa, no GP da Austrália, se falava que o carro pilotado por Fernando Alonso e Lance Stroll não duraria metade da prova. No fim daquela corrida, Alonso percorreu 21 das 58 voltas, enquanto Stroll percorreu 43 das mesmas 58 voltas.
Até o momento, a equipe britânica conseguiu apenas um ponto, marcado por Fernando Alonso no GP de Mônaco. O bicampeão mundial utilizou sua experiencia para garantir a 10ª posição num circuito que é praticamente impossível de se ultrapassar na pista.
Mesmo assim, o drama das últimas posições (quando ambos não abandonavam) seguiu-se até a última corrida antes da pausa de verão, o GP da Hungria. Naquela etapa, a Aston Martin anunciou um mega pacote de atualizações, que praticamente trazia um carro novo para Alonso e Stroll. Ali, era nítido que o bólido evoluiu, principalmente nas mãos de Fernando Alonso. O espanhol fez um excelente treino classificatório, passando para o Q2 pela primeira vez na temporada, e terminou a corrida na 14ª posição. Já Stroll, apesar da classificação ruim, fez uma boa corrida, terminando na 13ª posição, largando do 20º posto.
O que esperar para a segunda metade da temporada da Fórmula 1?
Neste momento, Antonelli tem 50 pontos de vantagem para Hamilton no campeonato de pilotos, equivalente a exatas duas vitórias. Já Russell está apenas 9 pontos atrás de Hamilton e 59 atrás de Antonelli. Leclerc e Norris, que já venceram corridas em 2026, correm por fora pela briga de campeão mundial de Fórmula 1. Nunca é um bom negócio descartar Max Verstappen, que já provou que é capaz de promover reviravoltas incríveis após a pausa de verão. Entretanto, Max não parece estar feliz com o caminho que a Red Bull está seguindo em 2026, e o tetracampeão é o principal alvo dos rumores de transferências para 2027.
Outrora ligado a Mercedes, Max Verstappen neste momento tem seu nome envolvido, principalmente, com a McLaren para 2027. Apesar da boa relação de Max e de seu pai, Jos Verstappen, com o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff não parece estar disposto, até o momento, a abrir mão de sua dupla formada na academia da própria Mercedes num futuro próximo. E com a falta de evolução do carro da Red Bull, Verstappen parece enxergar na McLaren, uma oportunidade de voltar ao topo em 2027. Principalmente, pois seu fiel escudeiro e atual engenheiro de corrida, Gianpiero Lambiase, já está acertado com a escuderia sediada em Woking para 2027. E segundo rumores, a Red Bull estaria limitando o acesso de Lambiase a informações sobre o carro da equipe, prejudicando também o desempenho de Verstappen.
Com a possível saída de Verstappen, os rumores iniciais apontam que o substituto do tetracampeão mundial na escuderia austríaca será justamente Oscar Piastri, atualmente na McLaren. A base deste rumor fala, principalmente, da excelente relação da Red Bull com Mark Webber, manager e empresário de Piastri, que foi piloto da equipe entre 2007 e 2013. Além destes rumores, fala-se bastante nos bastidores sobre a saída de Esteban Ocon da Haas, da já citada saída de Bottas da Cadillac e da saída de Sainz da Williams rumo a Audi, no lugar de Hulkenberg. Porém, vale lembrar que, neste momento, se tratam apenas de rumores, nada é oficial.
Doze etapas ainda serão realizadas em 2026, incluindo duas corridas sprint (Holanda e Singapura). O circo da Fórmula 1 ainda irá passar por destinos clássicos do calendário, como Monza (Itália) e Interlagos (São Paulo). Circuitos de rua, como Baku (Azerbaijão), Marina Bay (Singapura), Las Vegas (Estados Unidos) e a estreante no calendário Madri (Espanha). As duas últimas etapas do ano, no Catar e em Abu Dhabi respectivamente, estão com um grande ponto de interrogação sobre suas realizações, devido ao conflito na região envolvendo Estados Unidos e Irã.
E justamente por causa desde conflito, o GP do Bahrein, originalmente alocado como a 4ª etapa do mundial e acontecendo no Deserto do Shakir, foi realocado. Agora, o GP do Bahrein será a 16ª etapa, e sequer acontecerá no Bahrein. O final de semana de Fórmula 1 será no Circuito de Sepang, na Malásia, a cerca de 6 mil quilômetros do circuito do Shakir. Mesmo assim, a etapa seguirá sendo chamada de GP do Bahrein, poís será o governo bareinita que organizará tudo, mesmo na Malásia.

