Jack Draper está prestes a mudar a sua trajetória em Wimbledon. Encarando uma série de lesões, o britânico tem seu retorno previsto para a gira de grama. Mas, além da sua volta, o público anseia ver como Draper vai lidar com a pressão e a glória de ter seu compatriota, o lendário Andy Murray, na sua equipe técnica.
Pouco depois de anunciar que não seria mais treinado por Jaime Delgado, com quem trabalhava há seis meses, Draper comunicou que passará a ter seu conhecido de longa data, Andy Murray, como treinador na temporada de grama, um dos movimentos mais interessantes do circuito atual.
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Responsável por mudar a história do tênis britânico, Murray não é só especialista em grama, mas também o detentor de uma das mentalidades mais resilientes do esporte. Ele fará o seu segundo trabalho como treinador, depois de integrar rapidamente a equipe de Novak Djokovic no início de 2025.
A logística foi decisiva para Andy aceitar o convite. Há quase dois anos aposentado e dividindo o tempo com o golfe, ele havia deixado claro que não pretendia viajar o circuito inteiro, para ficar mais perto da família. Um mês de compromisso, em solo britânico, na sua superfície de especialidade, com Wimbledon como objetivo, encaixou como luva para ele.
“Acredito muito no tênis dele. Nas sessões que tive com ele, me impressionou mais do que eu esperava. E olha que eu já achava que ele era ótimo antes de começar a ajudá-lo. Aprende rápido. Tem pouquíssimos pontos fracos no jogo. É um jogador mais completo do que eu provavelmente esperava!”, disse Murray sobre Draper em entrevista ao The Telegraph.
O conhecimento do ex-número 1 do mundo pode transformar o jogo e a carreira de Draper. Andy é dono de três títulos de Grand Slam, dois deles sendo em Wimbledon (2013 e 2016), torneio em que Jack nunca passou da segunda rodada. A parceria então se torna essencial para o tenista retornar e alcançar o seu objetivo principal na gira de grama.
Embora Draper já tenha ótimos recursos, sendo campeão em Stuttgart, estar com um dos maiores especialistas na superfície do século XXI pode trazer o refino que ele precisa, ajustando a transição, o footwork e como usar o peso da bola em uma quadra tão rápida e quique baixo, potencializando o saque o jogo agressivo do jovem.
A relação entre os dois também pode pesar a favor dessa nova fase. Depois de ser companheiro de Murray em Olimpíadas e Copa Davis, além de tê-lo derrotado em Indian Wells em 2023, Draper terá a oportunidade de absorver tudo o que o ex-número 1 tem para ensinar.
Aos 24 anos, o ex-número 4 do mundo tem encarado uma série de lesões desde a última temporada. Depois de se recuperar de uma lesão no braço esquerdo, uma tendinite no joelho que o atingiu logo na primeira rodada do ATP 500 de Barcelona, quando enfrentava Tomas Etcheverry, tirou ele da da gira de saibro totalmente. Com isso, Jack despencou no ranking, ocupando agora a posição de número 112.
Ao lado de Murray, Draper poderá reconstruir a confiança no próprio corpo. O escocês é alguém que entende muito de superação física, ele passou por cirurgias complexas no quadril, conhecendo bem o processo de recuperar a confiança na movimentação e na durabilidade do corpo após longos períodos de inatividade. No início, o trabalho tem sido focado justamente na consistência física, para que Jack consiga ter uma boa sequência em competições.
Por outro lado, com o bimedalhista olímpico e pentacampeão do Queen’s, a torcida e a imprensa britânica jogará a pressão toda em cima de Jack Draper durante a temporada de grama. Jamie Murray, irmão de Andy, destacou que não há ninguém mais qualificado para entender o que Jack está passando, já que ele carregou o peso de jejuns históricos nas costas por anos até vencer seus Slams. Andy vai precisar ensinar Draper a blindar o seu mental, gerenciando as expectativas externas para transformar a atmosfera em combustível em quadra.
Sob novo comando de Andy Murray, Draper deve abrir a temporada de grama em Eastbourne. O britânico não atua desde meados de abril e desistiu do ATP de Queen’s para finalizar a sua recuperação.
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Andy Murray e o Big Four
Filho de Williams e Judy, tenista e treinadora, Andy começou a jogar aos 3 anos de idade. Seu irmão mais velho é simplesmente Jamie Murray, ex duplista número 1 do mundo.
Envolto no mundo esportivo, Andy nasceu em Glasgow, em 15 de maio de 1987, mas cresceu em Dunblane, na Escócia, onde viveu até se mudar para Barcelona aos 15 anos para aprimorar seu tênis.
Revelação Mundial do Ano pelo Prêmio Laureus e Man of the Year no GQ de 2013, Andy é conhecido não só pela sua extensa história no tênis, mas por ser muito ativo em ações sociais, atuando como embaixador em diversas organizações.
Assistido por mais de 17 milhões de britânicos, sua vitória em Wimbledon foi o tema mais comentado de 2013, com quatro selos comemorativos emitidos pelos Correios Reais do Reino Unido antes de receber a medalha da Ordem do Império Britânico pelas mãos do príncipe William.
Não parou por aí, mais tarde, Andy se tornou o primeiro tenista distinto a ter a condecoração de cavaleiro pelo príncipe Charles, ganhou prêmios e nomeações pela BBC e pela ATP.
Acometido por problemas físicos, uma lesão no punho o fez perder Roland Garros e Wimbledon em 2007. Posteriormente, ele encarou uma cirurgia nas costas em 2013, e a sua mais conhecida cirurgia no quadril em 2018 e 2019.
Isso não foi um empecilho para que ele se tornasse o primeiro britânico a alcançar o topo do mundo em simples aos 29 anos, em 2016, além de encerrar 9 anos consecutivos como Top 10, ficando entre os 4 melhores por 8 anos.
Seus maiores feitos foram realizados diante do Big Three. Andy venceu Federer, Nadal e Djokovic pelo menos 7 vezes, incluindo vitórias em finais contra todos os 3 entre seus 14 títulos ATP Masters 1000.
Hoje, aos 39 anos, atuando como treinador, ele possui sua própria agência de representação, a 77 Sports Management, que lidera a sua carreira e a de suas promessas esportivas.

