O tradicional bordão “Haja Coração”, eternizado por Galvão Bueno em lances decisivos do futebol, tem mais verdade do que muitos imaginam. Afinal, as emoções intensas vividas durante os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo ou do time do coração não ficam apenas na arquibancada ou diante da televisão: elas podem provocar alterações significativas no organismo e impactar diretamente a saúde cardiovascular.
E o tema ganha ainda mais importância quando se observa a relação dos brasileiros com o futebol. Em um país onde o esporte faz parte da identidade nacional, milhões de torcedores acompanham partidas decisivas com enorme envolvimento emocional, vivendo cada gol, defesa ou pênalti como se estivessem dentro de campo. É impossível dizer que não somos um povo louco e apaixonado por esse esporte.
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“Haja coração” com o futebol
Durante uma partida de futebol, especialmente em momentos decisivos, é comum que o torcedor experimente episódios de estresse e ansiedade. Nessas situações, o organismo reage liberando hormônios e neurotransmissores que elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Em pessoas saudáveis, essa resposta do corpo costuma ser temporária e não representa maiores riscos. No entanto, para quem convive com hipertensão, arritmias cardíacas, histórico de infarto, diabetes, colesterol elevado ou outras doenças cardiovasculares, os efeitos podem ser mais significativos e exigir atenção redobrada.
Outro fator que merece atenção é o período em que a Copa do Mundo será disputada. O torneio coincide com o inverno em diversas regiões do país, estação marcada por temperaturas mais baixas que podem potencializar os riscos cardiovasculares. Isso porque o frio provoca a contração dos vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e aumentando o esforço do coração para manter a circulação adequada.
Como se não bastasse a combinação entre baixas temperaturas e a carga emocional típica das partidas decisivas, hábitos comuns entre os torcedores durante grandes competições também podem contribuir para a sobrecarga cardiovascular. É comum que amigos e familiares se reúnam para acompanhar os jogos em encontros regados a churrasco, petiscos e bebidas alcoólicas. O consumo excessivo de álcool, alimentos ricos em sal e gordura, bebidas energéticas, cafeína e até mesmo noites mal dormidas podem favorecer o aumento da pressão arterial e elevar os riscos para a saúde do coração.
“Para quem já possui algum problema cardiovascular, esses fatores podem se somar à emoção do jogo e aumentar o risco de complicações”, alerta o cardiologista Dr. Jaifábio Lima.
Quando somados à tensão e à ansiedade provocadas pelos jogos, esses fatores exigem atenção especial, sobretudo de pessoas que já convivem com hipertensão, diabetes, histórico de infarto ou outras doenças cardiovasculares.
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Alerta do Cardiologista
De acordo com o cardiologista Dr. Jaifábio Lima, formado pela Universidade de Marília (SP) e com especialização em Cardiologia e Ecocardiografia pelo Procape, no Recife, considerado o maior pronto-socorro cardiológico do Norte e Nordeste, emoções extremas vividas durante partidas de futebol podem afetar o coração. Lances decisivos, como cobranças de pênalti, gols nos acréscimos e confrontos eliminatórios, provocam uma resposta intensa do organismo, aumentando o estresse e gerando alterações que podem repercutir na saúde cardiovascular.
“O coração responde diretamente às emoções. Em momentos de nervosismo, quem realmente vive o futebol acaba sentindo tudo com muito mais intensidade”, explica.
Casos registrados nos últimos anos que passaram mal ou morreram durante partidas reforçam o alerta. Em 2019, após a final da Libertadores entre Flamengo e River Plate, dois torcedores flamenguistas morreram em decorrência de problemas cardiovasculares após a virada histórica da equipe carioca. Mais recentemente, em 2025, um torcedor do São Paulo morreu após sofrer um mal súbito durante uma partida da Libertadores no Morumbis.
especialistas orientam que sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio, palpitações, tontura, náuseas ou sensação de desmaio durante ou após as partidas não devem ser ignorados. Nesses casos, a recomendação é buscar atendimento médico imediatamente.
Apesar dos cuidados necessários, os médicos destacam que não é preciso abrir mão da emoção do futebol. A recomendação é manter o tratamento em dia, evitar excessos e respeitar os limites do próprio corpo para que a torcida continue sendo motivo de alegria, e não de preocupação.
O importante, segundo os especialistas, é garantir que a paixão pelo esporte caminhe lado a lado com os cuidados com a saúde

