A Copa do Mundo de 2026 promete enfrentar um dos maiores desafios já vistos na história da competição. A razão é simples, visto que o torneio será disputado durante o verão do Hemisfério Norte.E justamente, entre os meses de junho e julho, quando os jogos vão acontecer, as cidades-sede registram altas temperaturas, especialmente em algumas cidades norte-americanas.
Diferentemente da Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos com 24 seleções e 52 partidas, quando a Seleção Brasileira conquistou o tetracampeonato enfrentando temperaturas que chegaram a cerca de 38°C, a edição de 2026 tende a lidar com um desafio ainda maior. Fato que surge como uma das principais preocupações para atletas, comissões técnicas e organizadores do torneio.
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Estudo da WWA
De acordo com um estudo divulgado em 14 de maio pela World Weather Attribution (WWA), rede internacional de cientistas climáticos liderada pelo Imperial College London, a Copa do Mundo de 2026 poderá enfrentar desafios climáticos ainda mais severos do que os observados em 1994.
Além disso, a pesquisa aponta que a probabilidade de a final do torneio ser afetada por temperaturas extremas com um aumento de 50% em relação ao cenário registrado durante o Mundial disputado nos Estados Unidos há 32 anos.
A WWA avaliou o impacto das mudanças climáticas sobre as condições previstas para os 104 jogos da Copa do Mundo de 2026 utilizando uma métrica considerada mais precisa para medir o estresse térmico: o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), conhecido internacionalmente pela sigla em inglês WBGT (Wet Bulb Globe Temperature).
Diferentemente da simples medição da temperatura do ar, o índice leva em consideração fatores como umidade, radiação solar e circulação do vento, oferecendo uma avaliação mais completa das condições às quais atletas e torcedores estarão expostos. Dessa forma, o WBGT serve para mostrar o quanto o calor pode afetar o corpo durante atividades físicas intensas, ajudando a identificar situações em que as altas temperaturas podem representar riscos à saúde e ao desempenho dos atletas.
Com base nessa metodologia, o estudo aponta que 25% dos jogos programados para a Copa do Mundo de 2026 podem ser disputados sob condições consideradas insalubres para atletas e torcedores, pontuando os desafios que o calor extremo poderá representar ao longo da competição.
Segundo a análise da WWA, 26 dos 104 jogos da Copa de 2026 têm potencial de atingir os 26°C IBUTG; outros cinco devem ultrapassar os 28°C IBUTG, uma marca considerada crítica.
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FIFPRO
A FIFPRO é a entidade que representa os jogadores profissionais de futebol em âmbito mundial. Reunindo associações de atletas de diversos países, atua tanto no futebol masculino quanto no feminino. Na prática, funciona como uma espécie de sindicato global dos futebolistas, defendendo seus direitos, interesses e condições de trabalho.
Reconhecida como a principal voz dos jogadores no futebol mundial, a FIFPRO tem se manifestado sobre os impactos das altas temperaturas no desempenho e na saúde dos atletas. Segundo a entidade, é recomendado que, se a temperatura corporal estiver entre 28°C e 32°C, sejam feitas pausas para hidratação por volta dos 30 e 75 minutos. Se a temperatura corporal for superior a 32°C, os treinos e jogos devem ser paralisados..
Diante desse cenário preocupante, a FIFPRO divulgou uma carta aberta na qual alerta que os protocolos atualmente adotados pela FIFA não são suficientes para proteger os atletas dos riscos associados ao calor extremo durante as partidas. A entidade defende a adoção de medidas mais rigorosas para preservar a saúde, a segurança e o desempenho dos jogadores em condições climáticas adversas.
“O exercício competitivo em ambientes quentes pode levar desde queda de desempenho até emergência médica por golpe de calor”, afirma Mike Tipton, professor de Fisiologia Humana, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido.
FIFA
Pelas regras atuais da FIFA, as partidas podem ser disputadas normalmente mesmo quando o índice WBGT atinge 32°C, prevendo apenas pausas breves para hidratação. Seguindo esse protocolo, a entidade determinou a realização de interrupções de três minutos em cada tempo durante a Copa do Mundo de 2026, medida considerada insuficiente por especialistas e representantes dos jogadores diante dos riscos associados ao calor extremo.
Além disso, a FIFA definiu que essas pausas para hidratação ocorrerão de forma obrigatória aos 22 minutos de cada tempo, independentemente das condições climáticas específicas da partida ou da cidade-sede. A medida será aplicada em todos os jogos da Copa do Mundo de 2026 e acrescentará cerca de seis minutos ao tempo regulamentar de cada confronto, sem contar os acréscimos determinados pela arbitragem.

