Lance Stroll critica “eletrificação” da Fórmula 1 e ironiza fala de George Russell

Piloto da Aston Martin, cujo principal patrocinadora é uma petrolífera saudita, se posicionou contra os carros híbridos de 2026

Lance Stroll critica "eletrificação" da Fórmula 1 e ironiza fala de George Russell
Foto: Arquivo Pessoal

Na tarde da última segunda-feira (9), a Aston Martin apresentou a pintura de seu carro para a temporada de 2026 da Fórmula 1. O evento realizado na sede da equipe britânica, em Silverstone, teve as participações dos dois pilotos principais da equipe, o bicampeão mundial, o espanhol Fernando Alonso, e o filho do atual dono da equipe, o canadense Lance Stroll.

Lance Stroll com seu pai e dono da equipe, Lawrence Stroll, no evento de lançamento da Aston Martin.
Foto: Divulgação/Lance Stroll/Instagram

E justamente uma fala do canadense chamou bastante atenção do mundo da Fórmula 1. O piloto nº 18 criticou a eletrificação da maior categoria do automobilismo, caminho tomado pela organização desde 2014, com o regulamento dos motores híbridos. Este caminho foi tomado principalmente pensando em sustentabilidade e no futuro do planeta como um todo, não apenas na questão esportiva.

Porém, com o novo regulamento de 2026, a gestão da bateria se tornou ainda mais crucial para o piloto durante uma sessão. Agora, o sistema de recuperação de energia da unidade de potencia consegue fornecer até 350 kW a mais de potencia para o carro, o que pode gerar de 400 a 460 cavalos a mais de potencia.

Portanto, para manter esta gestão de energia durante toda a corrida, o piloto terá que ser mais cuidadoso ao passar as marchas e, principalmente, tirar o pé do acelerador antes do final da reta (técnica chamada de lift and coast).

Sobre a gestão de energia e a eletrificação da categoria, Lance foi enfático: Sempre se mostrou contra este movimento da Fórmula 1:

“Venho dizendo isso há muito tempo: seria legal ter motores aspirados com combustíveis sintéticos. Mas não faço as regras, só piloto os carros. Infelizmente, o automobilismo caminhou muito para esse lado da eletrificação. Nos últimos dez anos, tudo gira em torno de gerenciamento de combustível e pneus, sem andar no limite o tempo todo” – declarou Lance Stroll.

Ainda deu tempo do canadense ironizar a fala de George Russell após os testes privados de pré-temporada em Barcelona. O britânico da Mercedes, quando foi perguntado justamente sobre a gestão de energia mais agressiva com o novo regulamento, reconheceu que isso pode acontecer de fato, entretanto, minimizou que isso afetará negativamente as corridas.

Em resposta, Stroll insinuou que a fala de Russell foi baseada apenas no fato do carro da Mercedes é considerado o mais forte, segundo as especulações da imprensa e o que foi visto nos testes privados:

“Tenho certeza de que George, quando talvez estiver vencendo a corrida na Austrália por 30s de vantagem com a Mercedes, não vai se incomodar em reduzir marchas nas retas ou em fazer muito lift and coast. Pode ser até mude de ideia até lá” – finalizou o canadense da Aston Martin.

Patrocinador polêmico

Lance Stroll sempre foi um crítico dos carros híbridos da Fórmula 1, principalmente por afirmar que os pilotos não podem andar no limite o tempo todo, sempre precisam administrar quando colocar o pé no acelerador e quando fazer o lift and coast.

Porém, estas críticas se intensificaram bastante após 2022, quando a petrolífera saudita Aramco se tornou o principal patrocinador e investidor da Aston Martin. Portanto, a Aramco é a principal prejudicada pelo movimento contra o motor 100% a combustão.

Por fim, o pai de Lance Stroll, Lawrence Stroll, é dono da equipe da Fórmula 1 Aston Martin e também sócio majoritário da própria montadora Aston Martin. Assim, Lance muitas vezes acaba funcionando como uma espécie de “porta-voz” das opiniões de Lawrence e da Aston Martin, que seria a maior prejudicada com um motor 100% elétrico na Fórmula 1.