Em um confronto eletrizante e decidido nos detalhes, o Arsenal derrotou o Chelsea, por 1 a 0, 4 a 2 no agregado, nesta terça-feira (3), no Emirates Stadium, em Londres, e carimbou sua vaga na final da Carabao Cup. Após 90 minutos de muita tensão e equilíbrio, os Gunners foram decisivos no apagar das luzes, com Kai Havertz balançando as redes no último lance e selando a classificação.
Equilíbrio e tensão
Depois de um jogo de ida intenso, vencido pelo Arsenal por 3 a 2, a partida de volta entrou em campo com clima de decisão absoluta e tensão máxima. O Chelsea, pressionado pela necessidade de reverter o placar, sabia que não havia margem para erro. Do outro lado, os Gunners buscavam administrar a vantagem sem recuar demais, mantendo a competitividade em um confronto que, desde o apito inicial, se desenhou truncado, físico e estratégico.
A etapa inicial foi um verdadeiro jogo de xadrez, com poucas chances claras e muita cautela. O peso do caráter eliminatório travou as ações ofensivas, Arsenal e Chelsea evitaram qualquer exposição desnecessária, cientes de que um erro poderia ser fatal. A bola circulou majoritariamente pelo meio-campo, onde a marcação foi intensa e as infiltrações praticamente inexistentes, tornando o duelo amarrado e nervoso.
Sem conseguir furar o bloqueio adversário com trocas curtas de passes, o Arsenal passou a explorar os lançamentos longos como principal válvula de escape. Foi assim que surgiram as melhores chegadas da equipe da casa, quase sempre com Gabriel Martinelli. O brasileiro recebeu dois bons passes em profundidade, um deles partindo diretamente da defesa, mas em ambas as ocasiões encontrou uma marcação atenta, que neutralizou as investidas antes que se transformassem em finalizações perigosas.
O Chelsea, por sua vez, pouco produziu ofensivamente na etapa inicial. A equipe londrina teve dificuldades para sustentar a posse no campo de ataque e quase não conseguiu articular jogadas trabalhadas. A melhor oportunidade veio em um momento isolado de Enzo Fernández que apareceu sem marcação e arriscou de fora da área. A bola subiu, mas Kepa mostrou segurança ao fazer a defesa e manter o placar inalterado.
Com as áreas bem protegidas, o grande confronto ficou concentrado longe dos gols. Arsenal e Chelsea protagonizaram uma batalha intensa por cada metro no meio-campo, disputando ritmo, território e controle emocional. O equilíbrio absoluto marcou os 45 minutos iniciais, refletindo um jogo tenso, fechado e carregado de expectativa, que seguiu indefinido até o intervalo.
Pressão, risco e castigo no apagar das luzes
O cenário prometia um jogo mais aberto, impulsionado pela urgência do Chelsea. A equipe visitante passou a ter maior controle da posse de bola e tentou empurrar o Arsenal para o próprio campo, enquanto os Gunners adotaram uma postura mais reativa, apostando nos espaços deixados, especialmente em transições rápidas pelos lados do campo.
Com o relógio avançando, o duelo ganhou contornos ainda mais físicos e dramáticos. O Chelsea se lançou com mais frequência ao ataque, aumentou a presença no campo ofensivo e passou a rondar a área adversária, mas seguiu encontrando uma defesa do Arsenal extremamente organizada, que resistia à pressão. Mesmo recuando em determinados momentos, o time da casa mostrava frieza para responder em contra-ataques, mantendo o jogo em constante estado de alerta.
A entrada de Estêvão deu nova dinâmica ao setor ofensivo do Chelsea. O jogador trouxe mais mobilidade, boas aproximações e tentou acelerar as ações, mas, assim como seus companheiros, esbarrou na falta de objetividade. As investidas se acumulavam, a tensão aumentava, e a ausência de gols tornava o confronto cada vez mais nervoso, com muita disputa física e poucas conclusões efetivas.
Na reta final, sem outra alternativa, o Chelsea partiu para o tudo ou nada. A equipe passou a adotar uma postura totalmente ofensiva, avançando suas linhas e se lançando ao ataque em busca do gol que manteria viva a esperança na competição. A ousadia, porém, cobrou seu preço: os espaços surgiram, e o Arsenal passou a ter o cenário perfeito para o golpe decisivo.
E ele veio no último minuto. Após recuperação de bola, Declan Rice avançou pelo lado esquerdo e encontrou um campo de ataque praticamente aberto, com apenas um defensor à frente. Do outro lado, Kai Havertz se projetava em velocidade. O alemão recebeu, driblou o goleiro Robert Sánchez e, fiel à lei do ex, balançou as redes no apagar das luzes, selando a vitória e a classificação do Arsenal em um desfecho eletrizante.
Sequência
O Arsenal volta a campo no próximo sábado (7), quando enfrenta o Sunderland, pela Premier League, às 12h (de Brasília). No mesmo dia e horário, o Chelsea enfrenta o Wolverhampton.

