Alejandro Mancuso nega venda de diplomas após investigação sobre licenças

Ex-jogador afirma que sua equipe jurídica analisa documentos e transações citados em reportagem sobre certificados atribuídos à ATFA

Mancuso nega venda de diplomas após investigação sobre licenças. Foto: Arquivo Pessoal

Uma investigação publicada pelo UOL aponta Alejandro Mancuso, ex-jogador de Palmeiras e Flamengo e ex-auxiliar de Diego Maradona na Seleção Argentina, como figura central de um suposto esquema de comercialização de licenças falsas para treinadores de futebol. Segundo a reportagem, o argentino negociava certificados atribuídos à Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) por valores que chegavam a US$ 20 mil, cerca de R$ 100 mil na conversão mencionada.

A apuração realizada ao longo de quase dois anos, teve como base dezenas de mensagens de áudio e conversas obtidas pelo veículo. De acordo com a reportagem, Mancuso oferecia um procedimento que chamou de “urgente”, apresentado como uma alternativa à formação regular, com a promessa de envio das licenças pelos correios em até dez dias.

Entre os documentos oferecidos estariam certificados dos níveis PRO, A, B e C. A reportagem também relata a existência de um material promocional usado para divulgar o serviço.

Ex-jogadores conhecidos teriam negociado certificados

Segundo o UOL, Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Petkovic, Lugano, Luiz Gustavo e Paulinho estão entre os ex-jogadores que confirmaram ao veículo ter negociado com Mancuso ou recebido os documentos.

A reportagem afirma que a maioria declarou não ter utilizado as licenças. Felipe Melo, por sua vez, relatou ter recebido o dinheiro de volta.

A ATFA informou ao UOL que os certificados são falsos e que Mancuso não possui vínculo com a entidade. A instituição, tradicional na formação de treinadores na Argentina, contestou a autenticidade dos documentos atribuídos a ela.

Negociações envolveriam pagamentos em dinheiro e Pix

Mancuso mencionava em mensagens ter mais de 40 clientes no Brasil. O valor total movimentado não foi determinado pela reportagem, mas, diante dos preços citados, poderia alcançar milhões de reais.

Segundo o veículo, os pagamentos eram feitos principalmente em dinheiro, com depósitos presenciais em uma conta em Miami, nos Estados Unidos. Mais recentemente, o Pix também teria passado a ser utilizado.

Nesse contexto, a reportagem cita Júnior Gomes, treinador com experiência na terceira divisão do futebol do Rio de Janeiro, conhecido como “Renato Gaúcho da Baixada”. Ele teria emprestado sua conta bancária para receber valores relacionados às negociações.

O UOL relata que Gomes recebeu pelo menos duas transferências de R$ 50 mil em setembro de 2026. Ao veículo, ele afirmou que mantém uma parceria com Mancuso há anos e o descreveu como um “cara sério e de palavra”.

“As licenças são o Mancuso que articula. Eu só quebrei um galho. Como moro no Brasil, facilito para ele devido aos impostos, e meu banco fazia essa operação”, explicou Gomes ao UOL.

Mancuso nega venda de diplomas e afirma que apura os fatos

Em posicionamento oficial divulgado após a repercussão das reportagens, Alejandro Mancuso negou ter vendido diplomas e afirmou que está preocupado com os efeitos das informações sobre sua trajetória profissional.

O ex-jogador declarou que, além de trabalhar como comentarista esportivo, desenvolve atividades independentes de intermediação, incluindo contatos entre profissionais do futebol e instituições ligadas à formação de treinadores.

“Minha intenção nunca foi prejudicar ninguém. Ao longo desses anos, procurei facilitar os contatos e encaminhar as solicitações que chegavam até mim”, declarou Mancuso.

Ele também esclareceu que não ocupa cargo de direção nem possui autorização institucional para representar a Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA).

Sobre os questionamentos relativos aos documentos e às transações financeiras mencionadas nas reportagens, Mancuso informou que sua equipe jurídica está examinando as informações e os registros pertinentes para esclarecer as circunstâncias de cada caso.

O argentino ainda manifestou disposição para colaborar com os interessados na apresentação dos documentos às instituições competentes, a fim de verificar a origem e a regularidade dos certificados, sem antecipar conclusões sobre os materiais questionados.

“Tenho uma história construída dentro do futebol e considero fundamental que todos esses fatos sejam esclarecidos de maneira responsável”, afirmou.

Ao final da nota, a equipe jurídica de Mancuso informou que avalia as medidas cabíveis diante de informações que possam ser demonstradas como incorretas.