Manchester City foi considerada culpada por 114 violações financeiras na Premier League. As investigações contra a equipe inglesa vêm acontecendo desde 2018, após revelações da Football Leaks. Após cinco anos das revelações, a Premier League formalizou 115 acusações contra o City. As acusações envolvem o período de 2009 a 2018 e uma falta de cooperação por parte da equipe.
O objetivo do clube era “driblar” o famoso Fair Play financeiro da Liga Inglesa, inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir seus custos em mais de 900 milhões de libras. Conforme o que disse a Comissão da liga, o clube registrou contas incorretas e ocultou seu verdadeiro estado financeiro através de seus auditores e reguladores de futebol. Confira a nota oficial da Premier League.
“A Comissão independente concluiu que o Manchester City organizou acordos comerciais ‘simulados’ com vários de seus patrocinadores durante o período, que faziam parte de um esquema de financiamento disfarçado, pelo qual essas empresas eram obrigadas a pagar apenas uma parte das taxas de patrocínio relevantes. O restante foi financiado pela Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), que era proprietária do clube. Como parte do esquema, foram firmados outros arranjos do clube, financiado pela ADUG”.
O clube enfrenta as acusações por fornecimento de informações financeiras falsas, superfaturamento de contratos de patrocínio ligados aos proprietários do clube, e por não terem divulgados a jogadores e ao ex treinador Roberto Mancini.
Acusações sofridas
- As violações sobre fornecimento de informações imprecisas, sobre a situação financeira entre 2009/10 a 2017/18.
- Falta de detalhamento sobre pagamentos do técnico Roberto Mancini, no contrato fechado em 2009/10 até 2012/13. Além da não inclusão de detalhes de remunaração de jogadores entre 2010/11 e 2015/16.
- O Manchester City também não cumpriu as regulamentações da Uefa, incluindo regulamentações e o Fair Play financeiro, entre 2013/14 e 2017/18.
- Não aplicação das regras de rentabilidade e sustentabilidade da Premier League, entre 2015/16 e 2017/18
- Não colaboração com as investigações desde 2018 até hoje, ao não fornecer documentos e informações.
Clube nega e alega estar surpreso diante das acusações
O presidente do clube Khaldoon Al Mubarak, diz que são inocentes e alega sabotagem.
“Embora alguns tenham se apressado em tirar suas próprias conclusões — e haja tanto ruído à nossa volta —, nada mudou. Já enfrentamos desafios juntos anteriormente e saímos vitoriosos. Ainda há muitos que desejam minar o ímpeto do nosso clube. Não lhes daremos essa oportunidade“, disseAl Mubarak.
“O processo da Premier League ainda tem um longo caminho pela frente, e nossa confiança e determinação em provar a inocência do Clube permanecem tão firmes quanto no início”, completou o presidente.
Possíveis punições
De acordo com as regras da Premier League, o Manchester City poderá sofrer punições severas. São elas: multas milionárias, perda de pontos, perda de títulos (apenas os títulos conquistados durante os períodos da investigação), proibição de transferências (o clube não poderá registrar novos atletas), rebaixamento ou exclusão da liga.
Até o momento, o clube ainda não sofreu nenhuma das sanções, mas as equipes rivais cobram da Premier League uma punição severa à equipe de Manchester, sendo a principal delas o rebaixamento para a EFL Championship. Já os diretores da segunda divisão inglesa são contrários a essa decisão, alegando falta de benefícios para a liga e falta de competitividade por conta do abismo financeiro entre as equipes.
“Que benefício a Championship teria com a queda do Manchester City? Absolutamente nenhum. O orçamento deles é tão gigantesco que eles simplesmente atropelariam a segunda divisão e subiriam direto de volta. Isso mataria uma vaga de acesso para os outros clubes. Não existe nenhuma equipe na Championship que consiga lidar com esse nível de riqueza”, disse um dos diretores consultados pela emissora inglesa Sky Sports.
Outro dirigente procurado pela emissora também diz que a decisão tomada não pode beneficiar apenas os clubes da primeira divisão.
“Quem quer que esteja tomando a decisão sobre qualquer sanção precisa preservar a integridade de toda a pirâmide do futebol inglês, e não pensar apenas na Premier League. Se o Manchester City for expulso da elite, não deveria ser automático que simplesmente entrassem na Championship. Essa decisão deveria ser nossa. Eles deveriam ter que reconquistar o seu espaço no futebol inglês”, destacou.
A expectativa é que o clube recorra das decisões até o dia 2 de outubro, já que os diretores alegam surpresa diante das acusações.

