Raphinha como 9 ganha força na Seleção após teste de Ancelotti

Atacante do Barcelona foi utilizado como falso 9 por Carlo Ancelotti, marcou de pênalti no empate antes do intervalo e mostrou características que podem ajudar a resolver uma das principais dúvidas da Seleção para o novo ciclo

Raphinha comemorando gol marcado contra a Austrália (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Raphinha vive um momento diferente na carreira. Acostumado a atuar aberto pelos lados do campo, o atacante passou a ser utilizado mais centralizado pelo Barcelona nesta temporada e vem respondendo com números impressionantes. Nesta terça-feira (29), Carlo Ancelotti decidiu aproveitar justamente essa característica na Seleção Brasileira.

Diante da Austrália, no Suncorp Stadium, em Brisbane, Raphinha começou como falso 9, tendo Rayan e Vinicius Junior pelos lados. A mudança de função deu ao atacante uma participação mais próxima da área e permitiu que o Brasil tivesse um jogador capaz de sair da referência, circular entre as linhas e, ao mesmo tempo, aparecer na zona de finalização.

O resultado foi uma atuação importante dentro do processo de testes de Ancelotti. Raphinha marcou o segundo gol brasileiro, de pênalti, finalizou três vezes, todas no alvo adversário, e ajudou a Seleção a buscar o empate antes do intervalo. O Brasil depois cresceu no segundo tempo e venceu por 4 a 2, com gols de Vanderson, Bruno Guimarães e Vinicius Junior, além do próprio Raphinha.

Raphinha mais próximo do gol

A principal diferença na atuação de Raphinha foi justamente a posição. Em vez de partir constantemente da ponta para dentro, como fez em boa parte de sua trajetória pela Seleção, o atacante ocupou a região central do ataque.

Ancelotti o posicionou como um falso 9, função que já vinha sendo utilizada por Hansi Flick no Barcelona. A escolha não aconteceu por acaso, já que Raphinha chega à Seleção depois de um início de temporada extremamente produtivo atuando como atacante mais avançado no clube espanhol.

Contra a Austrália, ele teve liberdade para se movimentar e não ficou preso entre os zagueiros. Em determinados momentos, recuava para participar da construção e, quando a jogada avançava, atacava a área. Foi justamente essa movimentação que ajuda a explicar por que Raphinha pode ser uma alternativa diferente para o problema da camisa 9 brasileira.

O gol também teve esse peso. Após a Austrália virar o jogo para 2 a 1, o Brasil conseguiu o empate ainda no primeiro tempo com Raphinha cobrando pênalti. O atacante bateu com segurança e colocou a Seleção novamente no jogo. Além do gol, Raphinha participou de uma primeira etapa na qual o Brasil buscou explorar mais o ataque por dentro.

A atuação, entretanto, terminou no intervalo por causa de um desconforto muscular na coxa direita. Segundo a CBF, o jogador será avaliado para determinar a gravidade do problema.

Um gol que encerra um jejum pela Seleção

O gol contra a Austrália também teve importância individual. Raphinha não marcava pela Seleção desde março de 2025, quando marcou contra a Colômbia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Em 2026, antes do duelo desta terça-feira, ele havia disputado partidas pela Seleção sem conseguir balançar as redes. O atacante vinha contribuindo de outras maneiras. No primeiro amistoso contra a Austrália, disputado na última sexta-feira, Raphinha foi responsável pela cobrança de escanteio que terminou no gol de Rayan, no empate por 1 a 1. Agora, além da participação na construção, voltou a marcar.

Isso é especialmente relevante porque o desempenho de Raphinha com a camisa da Seleção vinha sendo comparado constantemente ao que o jogador apresenta no Barcelona.

Os números assustadores no Barcelona

E é justamente no Barcelona que está o principal argumento para Ancelotti continuar testando Raphinha como centroavante. Na temporada 2026/27, o brasileiro disputou oito partidas pelo Barcelona antes da Data Fifa, todas como titular, e marcou 14 gols, além de dar três assistências. São 626 minutos em campo, com 12 gols em sete jogos de LaLiga e outros dois na estreia da Champions League contra o Feyenoord.

A sequência explica a mudança de posição: Raphinha marcou três vezes contra o Sevilla, três contra o Racing Santander, dois contra o Feyenoord, dois contra o Levante, dois contra o Rayo Vallecano, além de gols contra Athletic Bilbao e Elche.

O desempenho fez com que a mudança para o centro do ataque deixasse de ser apenas uma alternativa circunstancial no Barcelona. O brasileiro passou a ser uma das principais referências ofensivas da equipe.

Antes do amistoso desta terça-feira, Raphinha havia participado de todas as sete partidas do Barcelona na LaLiga, com 12 gols e três assistências, liderando a artilharia da competição.

A chave pode estar no Barcelona

A utilização de Raphinha como 9 não significa necessariamente que a Seleção tenha encontrado uma solução definitiva para a posição. Mas existe uma lógica clara na escolha. Nos últimos anos, o Brasil testou diferentes jogadores como referência ofensiva, enquanto Vinicius Junior, Raphinha e outros pontas frequentemente precisaram se adaptar a diferentes funções.

A nova ideia de Ancelotti é aproveitar um jogador que já está familiarizado com a posição no seu clube. No Barcelona, Raphinha tem mostrado que consegue produzir mesmo quando começa a jogada pelo centro. Sua velocidade continua sendo uma arma importante, mas agora é utilizada em movimentos mais curtos, atacando espaços entre zagueiros e laterais e aparecendo com mais frequência na área.

Isso também abre espaço para Vinicius Junior permanecer pela esquerda, onde costuma ser mais perigoso, enquanto Raphinha ocupa o corredor central e outro jogador pode atacar pelo lado direito. Foi exatamente essa configuração que Ancelotti testou contra a Austrália: Raphinha centralizado, Vini pela esquerda e Rayan pela direita.

Raphinha pode ser o 9 da Seleção?

Ainda é cedo para cravar que Raphinha será o camisa 9 definitivo do Brasil. A partida contra a Austrália foi apenas um teste e terminou com o atacante deixando o campo no intervalo por causa do desconforto muscular. Além disso, o Brasil ainda terá outros jogadores para observar na posição, como Endrick e Pedro.

Por outro lado, existe uma coincidência difícil de ignorar: Raphinha está vivendo justamente no Barcelona a melhor sequência de sua carreira como atacante centralizado, e Ancelotti decidiu transportar essa experiência para a Seleção. O desempenho diante da Austrália não resolve sozinho a questão da camisa 9, mas dá ao treinador uma alternativa que até pouco tempo atrás parecia improvável.

A grande questão para os próximos jogos será saber se Raphinha conseguirá reproduzir pela Seleção a mesma eficiência que vem apresentando no Barcelona. Se conseguir, a posição que nasceu como uma adaptação no clube pode acabar se transformando em uma das principais alternativas ofensivas do Brasil para o novo ciclo.

A Seleção Brasileira volta a campo no próximo sábado (3), na Índia, enfrentando os donos da casa, às 11h.

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