A relação das novas gerações com o automobilismo vai além do que acontece entre a largada e a bandeira quadriculada. Redes sociais, bastidores, rotina dos pilotos e até a maneira como equipes e patrocinadores se comunicam passaram a fazer parte da experiência de acompanhar categorias como a Fórmula 1. Essa é a percepção de Yuri Turbo, repórter e comunicador de automobilismo de 15 anos que acompanha o esporte desde a infância.
Para Yuri, uma das principais mudanças está justamente na maneira como o público escolhe por quem torcer. Se em outras gerações a nacionalidade e os resultados tinham peso determinante na identificação com pilotos, hoje os jovens encontram diferentes pontos de conexão antes mesmo das corridas.
“Antes, a jornada pela vitória e pela glória nacional era o foco principal, com o torcedor acompanhando muito o piloto do seu país. Hoje é mais complexo. A nova geração busca conhecer a pessoa por baixo do capacete, sua rotina, a equipe, os patrocinadores e o que ela mostra nas redes sociais. O fã analisa seu piloto preferido antes mesmo de ele colocar um pé no grid”, afirma Yuri.
Essa identificação, segundo o jovem repórter, também ajuda a explicar por que uma geração acostumada a conteúdos cada vez mais rápidos continua encontrando motivos para acompanhar uma corrida completa. Para ele, a experiência deixa de depender exclusivamente de quem vence e passa também pela trajetória daquele piloto ao longo da prova.
“Quando você se conecta com um piloto, acaba criando um laço. Quando ele coloca o capacete, você quer acompanhar o que vai acontecer. Hoje não é só a vitória que conta, mas a batalha, escalando ou defendendo posições até a bandeira quadriculada. Torcer dá a sensação de fazer parte de algo grande junto com seu ídolo”, explica.
Redes sociais não necessariamente substituem as corridas
Na avaliação de Yuri, vídeos curtos e conteúdos produzidos para as plataformas digitais não precisam competir com as transmissões tradicionais. Os dois formatos podem fazer parte de uma mesma experiência de consumo.
Ele cita como exemplos os conteúdos de bastidores produzidos pelas próprias equipes, além de séries como Drive to Survive, que apresentam personagens, rivalidades e histórias que posteriormente continuam dentro das pistas.
“É uma junção dos dois. Ainda há muitos jovens que assistem às corridas completas, mas também existe uma presença enorme de vídeos curtos sobre os pilotos. Eu mesmo gosto de assistir aos ‘edits’. Também temos equipes mostrando a rotina dos pilotos e produzindo conteúdos que vão além das corridas. Depende do tipo de fã, do que ele procura no automobilismo e de como interage com o esporte”, avalia.
Para Yuri, essa transformação também alterou a maneira como a própria Fórmula 1 se apresenta. A competição continua sendo central, mas passou a dividir espaço com entretenimento, personagens, tradição e experiências construídas ao redor de cada Grande Prêmio.
“A Fórmula 1 não é apresentada apenas como uma batalha na pista. Virou um grande espetáculo em que uma ultrapassagem pode ganhar enorme importância, junto com os pódios, os eventos e toda essa junção entre tradição e modernidade”, completa.
Das redes sociais aos paddocks
A percepção de Yuri também parte da própria experiência como integrante dessa geração. Ele começou a produzir conteúdo sobre automobilismo aos 9 anos e, aos 15, já atua como repórter e comunicador especializado na modalidade.
Atualmente, Yuri é embaixador da Stock Car e acompanha presencialmente as etapas da categoria, realizando cobertura jornalística. Sua trajetória também inclui duas coberturas das 24 Horas de Le Mans, em 2024 e 2026, como repórter credenciado. Na edição mais recente da tradicional prova francesa, realizou entrevistas em inglês com pilotos das Ferrari 499P.
A experiência dentro e fora das pistas faz com que Yuri acompanhe justamente a transformação que descreve: uma geração que pode descobrir um piloto em um vídeo de poucos segundos, conhecer sua personalidade pelas redes sociais e, a partir dessa identificação, passar a acompanhar o que ele faz quando as luzes se apagam para a largada.

