Vasco busca vaga na semifinal da Sul-Americana após 0 a 0 com o Santa Fe em Bogotá

Cruzmaltino vai decidir vaga para a semifinal da Sul-Americana em São Januário

Vasco fica no empate sem gols e vai decidir em São Januário. Foto: Divulgação / Vasco

O Vasco segurou um empate sem gols com o Santa Fe nesta terça-feira (8), no El Campín, em Bogotá, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. Mesmo com uma escalação praticamente toda reserva, tendo apenas Léo Jardim entre os titulares habituais, o time foi seguro durante boa parte do primeiro tempo, lidando bem com a altitude colombiana.

O Santa Fe teve um gol anulado por impedimento logo aos 8 minutos, com Scarpeta, e cresceu na etapa final, quando Léo Jardim fez uma defesa importante em cabeçada de Fagúndez para preservar o placar. Do lado ofensivo, a melhor chance vascaína foi de Spinelli, que driblou o zagueiro e parou no goleiro Asprilla.

Com o 0 a 0, a decisão fica em aberto e será resolvida em São Januário, na próxima terça-feira (15), às 19h. Qualquer vitória simples classifica o Vasco. Um novo empate leva a disputa para os pênaltis.

Disputa de bola no jogo entre Vasco x Santa Fé. Foto: Divulgação/Santa Fé

Análise tática

Escalação alternativa como estratégia deliberada. Pedro Emanuel poupou nomes como Cuesta, Andrés Gómez, Adson e não contou com Thiago Mendes (suspenso) e Colidio. É uma das prioridades do Vasco: preservar o elenco principal pensando no desgaste físico e na sequência de compromissos, arriscando um resultado pior fora de casa em troca de frescor para as outras frentes.

Jogo por fora como saída ofensiva. Mesmo com time misto, a equipe encontrou nos corredores o principal caminho de ataque contra a marcação colombiana, sinal de que o padrão de jogo por fora é um recurso que funciona mesmo sem os titulares.

A altitude. O time sentiu o desgaste físico com o passar do jogo, comum a qualquer equipe brasileira em Bogotá (2.640m) e isso ajuda a explicar por que o Santa Fe cresceu na reta final. Esse é um dado tático relevante para a volta: o jogo em São Januário, ao nível do mar, favorece o ritmo mais intenso que o Vasco impõe em casa.

Léo Jardim garantindo o resultado. As duas defesas decisivas no fim mostram que o resultado positivo teve endereço certo, o que é bom (o gol evitado) e também um alerta (a defesa vascaína permitiu essas chances).

Goleiro do Vasco Léo Jardim. Foto: Divulgação/Vasco da Gama

O panorama completo: três frentes ao mesmo tempo

Hoje o Vasco disputa simultaneamente:

  • Copa Sul-Americana quartas de final contra o Santa Fe, decisão em casa dia 15/9. Quem passar pega o vencedor de Boca Juniors x São Paulo na semifinal.
  • Copa do Brasil já eliminou o Vitória e está na semifinal contra o Palmeiras, briga por uma vaga na final e por uma premiação e vaga na Libertadores
  • Campeonato Brasileiro a situação é de queda: o clube está na briga direta contra o rebaixamento, alternando entre a 16ª e a 17ª posição em meio a uma polêmica recente sobre critérios de desempate com o Mirassol, ambos empatados em pontos.

Vale a pena o Vasco priorizar a Sul-Americana?

Colocando as três competições lado a lado, dá para pensar em três ângulos:

A favor de priorizar a Sul-Americana:

É a competição mais próxima de uma classificação garantida, depende só de um resultado simples em casa. Um título ou boa campanha na Sul-Americana pode garantir vaga direta na Libertadores de 2027, algo que dificilmente viria via Brasileirão neste momento. E a Sul-Americana tem seu valor histórico e financeiro.

Contra priorizar a Sul-Americana:

A Copa do Brasil oferece premiação maior e uma vaga direta na Libertadores, além de estar mais avançada, perder o foco ali por causa da Sul-Americana seria abrir mão do torneio de maior peso financeiro e esportivo.

O Brasileirão é o problema mais urgente e mais perigoso: cair de divisão tem impacto muito mais profundo e duradouro financeiramente, institucional, de elenco do que qualquer resultado em copas. Historicamente, clubes grandes que “trocam” o Brasileirão por copas paralelas já pagaram caro depois, o calendário apertado mo fim do ano vai empilhar jogos decisivos em pouco tempo.

A leitura mais realista é que o Vasco não tem o luxo de escolher uma frente e abandonar as outras, o elenco e o calendário não permitem esse plano, e abrir mão do Brasileirão seria o erro mais caro de todos, dado que está em jogo a permanência na Série A. O que já foi feito de poupar contra o Santa Fe sugere que a comissão técnica está tentando exatamente isso: gerenciar minutagem, mantendo os titulares mais frescos para os jogos decisivos do Brasileirão e da semifinal da Copa do Brasil, e usando alternativas na Sul-Americana sempre que o calendário permitir. Faz sentido tático desde que a decisão em casa contra o Santa Fe, com força total, confirme essa lógica, aí sim valeria seguir na competição sem custo adicional real para as outras duas frentes.

Torcedor mirim do Vasco com bandeirão do clube. Foto: Divulgação/Vasco