Ponto conquistado ou dois perdidos? Athletico-PR empata com RB Bragantino

Furacão reage após sofrer o primeiro gol, mas deixa escapar a oportunidade de vencer em casa e se aproximar dos líderes

Foto: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

O Athletico-PR deixou escapar uma boa oportunidade de se aproximar ainda mais da liderança do Brasileirão. Neste sábado (15), o Furacão ficou no empate por 1 a 1 com o Red Bull Bragantino, na Ligga Arena, pela 23ª rodada. Pedro Henrique abriu o placar para os visitantes, mas Kewin Vargas empatou poucos minutos depois e evitou a derrota dos donos da casa.

Para o Bragantino, que vinha de uma sequência de quatro partidas sem vencer no Brasileirão e ainda havia disputado a Sul-Americana durante a semana, o ponto fora de casa tem peso importante. Para os donos da casa, porém, fica a sensação de uma oportunidade desperdiçada.

O contexto pesava a favor do furacão

O Athletico chegou ao confronto ocupando a terceira colocação e vivendo uma sequência invicta no Campeonato Brasileiro. Além disso, o fator casa vinha sendo um dos principais argumentos da equipe na competição. Do outro lado, o Bragantino buscava recuperação depois de uma série negativa e chegava desgastado pela derrota por 1 a 0 para o Atlético-MG, pela Sul-Americana, apenas três dias antes.

Por isso, o empate não pode ser tratado simplesmente como um ponto conquistado. O Furacão tinha uma oportunidade clara de pressionar os concorrentes da parte de cima da tabela e ampliar a distância para equipes que brigam por posições no G-6.

Uma partida de poucos espaços

Taticamente, o confronto mostrou duas estruturas diferentes. O Athletico iniciou com uma formação 3-4-2-1, enquanto o Bragantino apareceu no 4-2-3-1. A escolha do Furacão indicava uma tentativa de ocupar melhor os corredores e aproximar os jogadores de criação dos atacantes, enquanto o visitante buscava proteger a região central com dois homens à frente da defesa.

O problema para otime da casa foi transformar essa ocupação territorial em volume ofensivo realmente capaz de desmontar a defesa adversária. O Bragantino conseguiu manter o jogo sob controle durante boa parte do confronto e dificultou a criação de situações claras.

Isso ajuda a explicar por que o placar permaneceu zerado por tanto tempo. O time curitibano tinha a responsabilidade de propor, mas encontrou dificuldades para acelerar a circulação da bola e criar superioridade perto da área adversária.

O segundo tempo mudou a partida

A partida ganhou outra dinâmica depois do intervalo. Pedro Henrique colocou o Bragantino na frente, aumentando ainda mais a pressão sobre o mandante. O gol, porém, teve uma resposta rápida do Furacão.

Kewin Vargas empatou poucos minutos depois e recolocou o Athletico no jogo.

A reação é um ponto positivo. Mesmo em uma noite abaixo do esperado, o time não se desorganizou emocionalmente depois de sofrer o gol e conseguiu buscar o empate.

Por outro lado, a resposta não foi suficiente para transformar a reação em virada. E esse talvez seja o principal alerta deixado pela partida.

O empate é mais positivo para quem?

O ponto conquistado na Ligga Arena tem um peso maior para o Bragantino. A equipe chegou a Curitiba pressionada pela sequência de resultados negativos e ainda precisou administrar o desgaste de uma partida internacional no meio da semana. Diante desse cenário, sair com um ponto fora de casa pode representar um ganho importante de confiança.

Para o Athletico, porém, o cenário é diferente. O Furacão continua pontuando e permanece entre os primeiros colocados, mas deixou pelo caminho uma oportunidade importante. Antes da rodada, a equipe tinha 40 pontos e ocupava a terceira posição. Com o empate, chegou aos 41.

Em uma competição equilibrada, um ponto não é desprezível. Mas, quando se joga em casa contra um adversário que atravessa um momento de instabilidade, a diferença entre empatar e vencer pode ser enorme na reta final. Por isso, o resultado acaba sendo mais valioso para o Bragantino do que para o Athletico.

Vargas salva o resultado, mas não resolve o problema

O seu gol merece destaque justamente por representar a capacidade de reação do time sulista. O atacante apareceu no momento em que a equipe mais precisava e evitou uma derrota que seria ainda mais pesada diante do contexto.

Mas o empate também mostra que o Furacão precisa encontrar alternativas quando seu plano inicial não funciona.

Uma equipe que pretende permanecer na parte de cima da tabela não pode depender apenas da intensidade ou da reação após sofrer um gol. Precisa conseguir controlar diferentes tipos de partida: jogos abertos, confrontos físicos, adversários recuados e, principalmente, partidas em que o favoritismo está do seu lado.

Um ponto que serve mais como alerta do que como comemoração

O 1 a 1 não apaga a campanha do Athletico. A equipe continua fazendo um campeonato forte e segue próxima da briga pelas primeiras posições.

Mas o empate com o Bragantino funciona como um alerta. O Furacão mostrou poder de reação, mas não conseguiu impor durante os 90 minutos a superioridade que se esperava de um time jogando em casa e vindo de uma sequência positiva. O Bragantino, por sua vez, mostrou organização suficiente para dificultar a vida do mandante e sair de Curitiba com um resultado importante.

No fim, o placar parece traduzir bem o que foi o confronto: o Bragantino ganhou um ponto; o Athletico deixou dois pelo caminho.

E, na disputa apertada pelas primeiras posições do Brasileirão, são justamente esses pontos que podem fazer diferença quando chegar a hora de olhar para a tabela e descobrir quem realmente conseguiu transformar regularidade em campanha de candidato.