Título da Espanha na Copa do Mundo é a prova de que às vezes existe justiça no futebol

Equipe espanhola amassou a Argentina e foi coroada com o bicampeonato mundial

Espanha vence a Argentina e se sagra bicampeã da Copa do Mundo. Foto: Espanha
Espanha vence a Argentina e se sagra bicampeã da Copa do Mundo. Foto: Espanha

A Espanha ergueu, na noite deste domingo (19), o bicampeonato mundial. A vitória sobre a Argentina na prorrogação não foi apenas merecida, como justa. Em um duelo onde praticamente apenas a ‘La Roja’ jogou, com 20 finalizações contra 3 dos hermanos, o placar de apenas 1 a 0 foi magro, mas representou que no futebol, algumas vezes, a justiça acontece.

A Argentina chegou à decisão com uma campanha um tanto quanto heroica ao conseguir remontadas contra Egito, Suíça e se classificar na prorrogação nas oitavas contra Cabo Verde. No fim, a seleção mostrou que se recusava a perder. Quase sempre com o ídolo Lionel Messi carregando a bola debaixo do braço e levando o time à vitória. A Espanha, por sua vez, chegou com uma forte defesa, sofrendo apenas um gol na Copa do Mundo, mas sobretudo um futebol coletivo. Apesar das individualidades sobressaírem (Yamal, Oyarzabal, Nico Williams, Rodri), foi o coletivo que fez a Espanha chegar à decisão.

A bola rolou e a Espanha tomou conta do jogo desde o começo. No intervalo, o placar sem gols refletia a injustiça de uma partida completamente dominada. Três finalizações europeias contra nenhuma sul-americana. No fim do segundo tempo, era um total de 15 finalizações a 0. A Argentina se recusava a perder e a sofrer gols. Dibu Martínez brilhava, mas a Espanha parecia que marcaria a qualquer momento. Ainda mais quando aos 93, Enzo Fernández foi expulso e a ‘La Roja’ foi para a prorrogação com um homem a mais.

No começo da prorrogação, o gol saiu. Nico Williams balançou as redes, mas o árbitro pegou uma falta e o VAR anulou o tento. Pouco depois, Ferran Torres recebeu de Nico e marcou o gol histórico do bicampeonato espanhol. A justiça, pelo futebol apresentado em campo, foi feita. A Espanha sagrou-se campeã.

A lição que a Espanha deixa na Copa do Mundo

O legado da Espanha na Copa do Mundo. Foto: Espanha
O legado da Espanha na Copa do Mundo. Foto: Espanha

A Espanha de Luis de La Fuente, além do futebol coletivo e vistoso, deixou um legado de trabalho duro e um projeto de longo prazo. Para se ter entendimento, em 2013 a Espanha perdeu a Copa das Confederações para o Brasil. O técnico era Vicente del Bosque. Entretanto, naquele mesmo ano, iniciava a trajetória do atual comandante espanhol à frente da seleção sub-19. Luis de La Fuente passou por toda a seleção de base do futebol espanhol e acompanhou de perto os jogadores que hoje consagrou como campeões mundiais.

Ele aliás, foi vice para o Brasil nos Jogos Olímpicos 2020 (disputados em 2021 por conta da pandemia da Covid-19). Ele comandou as seleções sub-19, sub-21 e sub-23 da La Roja de 2013 a 2021, até assumir a equipe principal em 2022. De lá pra cá, o sucesso e o planejamento funcionaram: campeão em 2015 da Eurocopa Sub-19, campeão em 2019 da Eurocopa Sub-21, campeão da Liga das Nações da UEFA 2022-23, campeão da Euro 2024, vice na Liga das Nações 2024-25 e campeão da Copa do Mundo FIFA 2026.

O legado deixado pela Espanha é que por mais que demore, o planejamento e o trabalho duro a longo prazo vale à pena. Fica o conselho para a Seleção Brasileira, que tenta há 28 anos voltar a vencer um Mundial.