Revenda da SAF do Vasco: o medo de cometer erros repetidos

Após crise com a 777 Partners, clube avança com Lamacchia, enteado de Leila Pereira, mas torcida e diretoria seguem cautelosos

Pedrinho, presidente do Vasco (Matheus Lima/Vasco)
Pedrinho, presidente do Vasco (Matheus Lima/Vasco)

A SAF do Vasco da Gama vem passando por um processo esperado nesse cenário de clubes-empresas: o de passar por uma revenda. Desde ser colocado no mercado de empresas até ser analisado por compradores, passar por processos de diligência, esse processo promete mudar o futuro esportivo do clube.

No que tange a Vasco, isso faz parte de um cenário anteriormente tempestuoso.

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Teu passado te condena

O Vasco já teve a sua SAF vendida anteriormente, em 2022. Na ocasião, foi a 777 Partners a comprar a maioria das ações da Sociedade Esportiva de Futebol do Club de Regatas Vasco da Gama.

A combinação entre Vasco e 777 Partners teve início promissor. Vitória contra o Flamengo, grande rival, no Campeonato Carioca; grandes investimentos; estruturação modesta mas promissora do centro de treinamentos. Parecia que ia dar certo.

Contudo, quis o destino que essa relação colidisse esportivamente: o Vasco brigou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2023.

O ruir de um sonho

Não bastando a colisão esportiva, veio a colisão financeiro-administrativa. A empresa norte-americana passou a ser alvo de manchetes internacionais sobre fraudes financeiras e problemas com empréstimos. A preocupação era latente.

Conforme a mudança no comando do clube associativo do Vasco, com o ex-jogador e ex-comentarista Pedrinho sendo eleito para o triênio 2024-2026, a postura tornou-se ainda mais incisiva: o Vasco entrou com liminar afastando a 777 Partners de suas funções no Vasco da Gama.

A situação foi inédita no cenário de SAFs no Brasil. Pela primeira vez, um clube associativo demoveu o investidor externo do controle da SAF. O argumento legal, dentre várias especificidades, alegava insolvência e descumprimento de cláusulas contratuais.

O pós-crise

Desde 2024 já se passaram dois anos. De lá para cá, o Vasco viveu altos e baixos esportivamente. Apesar disso, nunca deixou de estar em pauta a eventual e, conforme relatórios financeiros dos balanços publicados nesse período, inevitável revenda da SAF.

Em 2025, houve um flerte bem firme com o empresário grego Evangelos Marinakis, dono do Olympiacos da Grécia e do Nottingham Forest da Inglaterra. As conversas chegaram ao ponto de reuniões presenciais mas não progrediram para que o investidor pudesse comprar a SAF do Vasco.

Ainda assim, o Vasco seguiu ativo no mercado das SAFs. No fim de 2025, surgiu o flerte do momento quanto a esse tema: Marcos Faria Lamacchia.

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Um príncipe encantado

Marcos Faria Lamacchia é um empresário de 47 anos que é filho de José Lamacchia, dono da empresa de previdência Crefisa. Além disso, é enteado de Leila Pereira, esposa de José e presidente do Palmeiras.

Tal relação familiar levantou suspeitas de outros clubes quanto a possíveis conflitos de interesse entre Vasco e Palmeiras. Isso provocou posições públicas de Pedrinho, presidente do Vasco e Leila Pereira, presidente do Palmeiras quanto ao assunto.

As conversas foram progredindo desde o fim de 2025 para cá e, a essa altura do campeonato, tudo indica que estão em vias de tornarem-se um acordo concreto.

Por algumas vezes, Pedrinho e sua cúpula externaram que Marcos é o preferido para a compra da SAF e que os esforços, nesse momento, são em viabilizar um acordo para que o negócio seja fechado.

Imprudência ou urgência?

A grande dúvida do torcedor vascaíno nesses últimos dois anos é saber se deveria cobrar uma revenda rápida, visando um lucro rápido e crescimento esportivo repentino ou uma revenda cautelosa, visando um futuro a médio e longo prazo bem construído esportivamente para o Vasco.

O movimento #RevendaJá ganhou coro entre torcedores do Vasco nas redes sociais e se somou, em momentos de crise, ao movimento #ForaPedrinho. A postura bélica da torcida indicava, para uma grande parcela da massa cruzmaltina, urgência.

A urgência anda lado a lado com a imprudência? Nem sempre. A verdade é que, mesmo que com uma pressão da parte da torcida e da imprensa esportiva, a cúpula de Pedrinho soube fazer o processo de consultoria para a condução das conversas com José Faria Lamacchia sem pular nenhuma etapa.

O que o futuro reserva ao torcedor vascaíno?

Processos burocráticos para a venda de uma SAF são sempre lentos. São etapas de análise documental, estudos financeiros, estratégicos e outras peculiaridades para um universo colidente entre esporte, finanças e patrimônio.

Ao que tudo indica, a definição pendente para que o acordo aconteça é com relação a forma de investimento de Marcos Faria Lamacchia e seu grupo no Vasco. A ideia de dividir em “potes”, com cada um deles sendo focado em algum aspecto ligado ao clube, como reforços para o elenco de futebol, reformas estruturais, quitação de dívidas e investimentos patrimoniais, vem sendo pautada nesse momento.

Após atingir esse acordo, a diretoria do clube precisará enviar para votação dos sócios a proposta feita pela empresa e, caso votada favoravelmente, ainda aguardar mais outros processos burocráticos envolvendo a assinatura de contratos entre Vasco e o grupo de Marcos Faria Lamacchia.

Seja como for feita a venda, a promessa, mais uma vez, é de mudar a realidade do time de futebol do Vasco, oportunizando que a equipe volte a competir em alto nível e brigar por títulos, tendo como um dos objetivos reduzir a distância esportiva para os três rivais locais Fluminense, Flamengo e Botafogo.